João Fonseca supera Stricker de virada e coloca o Brasil na frente na Copa Davis
João Fonseca começou a caminhada do Brasil na Copa Davis com uma vitória que teve peso além do primeiro ponto da série. Na tarde desta sexta-feira (18), na Farmasi Arena, no Rio de Janeiro, o brasileiro saiu atrás diante de Dominic Stricker, reagiu a partir do segundo set e venceu o suíço por 2 sets a 1, com parciais de 4/6, 6/3 e 6/2.
O resultado colocou o Brasil em vantagem de 1 a 0 no confronto pelo Grupo Mundial I e marcou uma estreia especial para Fonseca: foi a primeira vez que o carioca disputou uma partida da Copa Davis em território brasileiro. Aos 20 anos e atualmente na 29ª posição do ranking da ATP, ele também voltava às competições depois de mais de um mês afastado por causa de uma lesão abdominal.
Do outro lado da rede estava Dominic Stricker, número 262 do mundo. Apesar da diferença no ranking, o suíço conseguiu aproveitar o início irregular do brasileiro e levou a primeira parcial por 6/4. Fonseca chegou a criar oportunidades, mas não conseguiu transformar a pressão em vantagem suficiente para impedir que Stricker saísse na frente.

A reação começou no segundo set. Fonseca passou a assumir mais o controle das trocas, encontrou maior consistência no fundo da quadra e aumentou a pressão sobre o saque do adversário. O momento decisivo apareceu na reta final da parcial, quando o brasileiro conseguiu a quebra de serviço e confirmou a vantagem para fechar em 6/3 e levar a partida para o terceiro set.
Na parcial decisiva, a atmosfera da Farmasi Arena ganhou ainda mais importância. A torcida brasileira aumentou o volume, enquanto Stricker passou a enfrentar uma pressão constante nos próprios games de saque. Depois de confirmar seu serviço, Fonseca criou uma sequência de oportunidades e conseguiu a quebra para abrir 3/2.
O brasileiro aproveitou o momento. Com o saque funcionando e uma postura mais agressiva nas trocas, Fonseca ampliou a vantagem e voltou a quebrar o serviço do suíço. A partir daí, controlou a reta final da partida até fechar o terceiro set por 6/2.
Assim que confirmou o match point, Fonseca não conteve a emoção. O tenista levou as mãos ao rosto e chorou na quadra, diante da torcida brasileira. A reação refletiu também o momento particular vivido pelo carioca, que chegou à Copa Davis depois de semanas afastado das competições e admitindo que ainda não se sentia totalmente recuperado.
Antes da partida, Fonseca havia revelado que sequer tinha certeza de que conseguiria estar em condições de jogar a série contra a Suíça. Depois da vitória, destacou o significado de voltar justamente defendendo o Brasil.
“Eu não cheguei aqui 100%. Não consegui nem garantir 100% que eu conseguiria jogar. Mas neste momento, jogando a Davis Cup pelo país, significa muito. Eu acabei de dar o meu melhor. É uma vitória muito importante para mim e para o time”, afirmou o brasileiro após a partida.
O triunfo também ampliou o retrospecto de Fonseca na Copa Davis. Com a vitória sobre Stricker, o brasileiro chegou a cinco triunfos em sete partidas disputadas pela competição desde sua estreia, em 2024.

A vitória, porém, não encerra o confronto entre Brasil e Suíça. A série é disputada em melhor de cinco partidas, e a equipe que alcançar três vitórias avança para a fase qualificatória do Grupo Mundial da Copa Davis de 2027. O país derrotado ficará fora dessa disputa e terá de jogar os playoffs do Grupo Mundial II.
Ainda nesta sexta-feira, Gustavo Heide enfrenta Stan Wawrinka no segundo jogo de simples. O suíço, ex-número 3 do mundo e tricampeão de Grand Slam, está em sua temporada de despedida da Copa Davis. No sábado, a programação prevê o duelo de duplas entre Orlando Luz e Rafael Matos contra Jakub Paul e Dominic Stricker, seguido pelos confrontos de simples entre Fonseca e Wawrinka e Heide e Stricker.
Para João Fonseca, entretanto, a primeira missão já foi cumprida. Em seu retorno às quadras, diante de sua torcida e ainda lidando com as consequências de uma lesão que interrompeu sua temporada, o brasileiro precisou reagir dentro da partida para entregar ao Brasil o primeiro ponto da série.
Agora, a vantagem brasileira passa a ser também uma responsabilidade para o restante da equipe.



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